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Os sinos

Não sei bem por que,
mas gosto de ver,
e ouvir os sinos,
a neblina densa,
o ranger das rodas
e os cavalos no piso da rua.

Sons de trem,
paisagens de uma janela
da minha vida,
que sem disfarce,
trazem uma emoção,
quente e úmida,
de sentimentos adormecidos.

E sigo assim,
feliz por ser
e saber,
que não sei bem por que,
ainda brindo
ao gosto de ver.

Cantos de viola

Cantos de viola
violeira,
lua lá no céu,
brincadeira.
Danças de manhã,
feiticeira.

Vai a rosa, vai a flor

Oh Minas, eu estou de volta.
Vejo suas montanhas,
onde o tempo se funde
com você, tão menina.

Catedrais e sinos te celebram,
acompanham teus passos
subindo as ladeiras,
pelas ruas de pedra,
sob a névoa que cai.

É festa de santos,
folias passando,
caminhos que seguem,
e as rosas que cobrem
e redescobrem você.

Lembranças intrauterinas

Soa o bolero na vitrola.
Ele a tira para dançar.
O cenário é um céu de estrelas.
E ali valsam, ao som que já ouvia.
Entre as muitas voltas no salão,
trocam promessas.
De lá, decido vir
desse amor juvenil,
pleno.
E venho,
sigo minha viagem
e me deparo com o tempo
de memórias felizes.

Fontes

Uma lágrima desce,
provocada pela cena da novela.
Risos contidos se espalham pela sala,
e os apertos de mão, frios,
selam a despedida.
Nada muito emotivo é bem-vindo —
mas no fundo desejado.

Onde estão essas fontes
que não se tocam,
não se abraçam,
não se falam?
Um amor quieto,
sem lágrimas,
sem sorrisos largos,
quase envergonhado do existir.
Eu venho desse silêncio.
Bebi da mesma fonte —
Sou fontes.