A ilha
Faz muito tempo que parei.
De refletir,
de contar histórias
da minha vida e dos que me cercam.
Tornei-me uma ilha.
Só,
a observar o mundo à minha volta.
Jogos de palavras são para poetas.
Sou alguém
que rabisca
palavras que não me sustentam.
Por um instante, deixo a minha ilha.
Atravesso o oceano,
encontro os que me cercam
e conto histórias de mim.
E os que me ouvem, atentos,
se imaginam num filme.
Mas as palavras cessam.
O coração se aquieta.
Pertenço agora ao mundo daqueles
que sorriem à minha volta.
E, ao longe, vejo a ilha se afastando,
deserta.
Restam lembranças —
como palavras na areia
que desaparecem.