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Poetar

A poesia nasce no extremo —
quando o corpo
já não contém.

Não é o dia claro,
a praia,
as gaivotas ao vento.

Poetar é doido,
necessário.
É a gaivota recolhida
num dia de chuva,
o mar bravio,
o voo suspenso.

Poetar é isso:
esperar o instante
em que o corpo
volta a arriscar o céu.