Os pós da estrada
As propagandas na estrada criavam um imaginário tentador,
mas o gosto é seco e dói na garganta.
Do alto da carroceria do caminhão, avisto uma flor.
— Pare! Eu quero descer! —
Pulo no chão: capricho ou emoção?
Um retrato de vida magnífico.
Desabrocha a imaginação:
preto e branco ou em cores,
tanto faz.
Tudo é o mesmo instante,
parado, estanque,
como a flor que agora vi.
Fotografo.
recorto, colo
em uma folha de papel.
A flor, já morta de sua beleza,
serve-nos com seu saber ancestral.
Congelamos a emoção
que escapa, fugidia.
Nada se captura,
tudo impregna:
células,
Retina.
Restam imagens
que alguém escuta
e refaz à sua maneira.