Me imagino
Às vezes me imagino ali:
invento quadros na parede,
flores pela casa,
mesa posta,
livros e poesias na estante,
a casa cheia de vida.
Uma varanda, uma luz vinda do Sul,
um vento frio e sereno.
No entanto, a realidade se impõe:
a estante tem pó,
as flores murcharam,
os livros já não se abrem,
o vento fere o rosto,
a varanda se cobre de folhas caídas,
e a casa está vazia.
Mas ainda me imagino ali —
com um coração que insiste,
e faz pulsar, na fantasia,
algo vivo.
E por um instante raro,
quase único,
nada falta.