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Poema Tyoe Tag: V

Velejando

Hoje há mais clareza, paz.
Momentos difíceis passam,
outros vêm.
Foram tempos confusos —
e eu achava que eram outros.
Uma música me transporta,
a acidez no sangue me leva
para onde avisto
o mar,
o céu,
a tempestade,
a imensidão da terra.
Navego como onda,
em mar mais suave,
como quem já velejou bastante
e encontra repouso
na calmaria.

Vulcão

O vulcão está em erupção
Lavas surgem a todo momento
E transformam a paisagem
primitiva, urros do vento, dores de um parto

De um princípio único que se molda e desfaz
e refaz
até encontrar a forma
a cratera mostra as entranhas do ser
vermelha e forte
que escorre e se banha
e nutre toda terra

Vaso quebrado

Vaso partido, despenca no chão.
Mas o que é, senão
cacos espalhados,
o pó sobre o enfeite
guardado há anos?
Que se desfaz,
sem qualquer palavra,
apenas o som do estilhaçar
ali, próximo à minha mão
fraca, que não pode mais segurá-lo.

Nada me ensinaram sobre a arte de viver.
Apenas vivi.
E ao olhar para mim,
por um instante, não existia nada
estava oco como este vaso
que se estilhaça em mil pedaços.

Verso final

E agora,
qual o verso final?
Por três vezes te vi partir
e você resistiu!
Saboreou cada fruto da vida,
seus olhos guardaram o mar,
seus braços envolveram os amigos,
sua boca encontrou os lábios da amada.

Ao final não existiu um verso
sua canção continuará a ser tocada
seus bailes serão em outros lugares
e nós seremos sós!

Vai a rosa, vai a flor

Oh Minas, eu estou de volta.
Vejo suas montanhas,
onde o tempo se funde
com você, tão menina.

Catedrais e sinos te celebram,
acompanham teus passos
subindo as ladeiras,
pelas ruas de pedra,
sob a névoa que cai.

É festa de santos,
folias passando,
caminhos que seguem,
e as rosas que cobrem
e redescobrem você.