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Poema Tyoe Tag: F

Fui feliz

Fui feliz
lá no meio de tudo:
dos rios, das cachoeiras,
do tempo que chovia
e molhava as pedras.
Pedra menina,
ainda pequena.
E eu também.
Fui feliz ali
tão pequeno,
inocente,
diante da imensidão
da beleza,
das cores,
do todo.

Finitude

o relógio aponta a hora
sempre ouvi o tic-tac
e os sinos das igrejas

marcando chegadas
e partidas
começos
nascimentos
e mortes

observo a vida passar
vejo os outros
quase nunca a mim
esqueço os momentos vividos
levarei tudo comigo
ou fico nas raízes que deixo?

Fácil

Estou ficando muito fácil,
ficando quase tátil,
me tornando pátio
para quem quiser entrar.
Engulo — como cachaça —
e, de gole em gole,
vou perdendo o contato.
Já nem ouço a voz no rádio,
não reflito o que é frágil,
e assim, sem artifício,
vou ficando — eu mesmo — fácil.

Faço poesia

Não sei se faço poesia.
Se o que escrevo é poesia…
No entanto, faço.
Faço porque gosto,
me eleva,
me limpa a mente
dos anseios vividos.

Não sei se o que faço é poesia.
Nem entendo sua métrica.
Sempre fui seco no português,
mas sou fértil ao derramar versos.
Apenas expressão
do que vagueia entre palavras.

Fontes

Uma lágrima desce,
provocada pela cena da novela.
Risos contidos se espalham pela sala,
e os apertos de mão, frios,
selam a despedida.
Nada muito emotivo é bem-vindo —
mas no fundo desejado.

Onde estão essas fontes
que não se tocam,
não se abraçam,
não se falam?
Um amor quieto,
sem lágrimas,
sem sorrisos largos,
quase envergonhado do existir.
Eu venho desse silêncio.
Bebi da mesma fonte —
Sou fontes.