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Poema Tyoe Tag: C

Claridade

A mente já estava cansada,
mas me lembro de ver o céu —
e, a cada estrela cadente,
uma lembrança retorna.
Um sorriso escapa,
leve como você,
que me ensinou a ver
luz dentro de casa.

Cordas

As cordas do meu corpo
vibram
e tocam
a minha melodia

Os arcos do meu corpo
se curvam

Vergam
e sustentam
a minha presença

Prontos para o toque

Controle

Quero controlar tudo,
mas nem controlo
os simpáticos e parassimpáticos.
Quero controle.
Projeto a existência —
o amanhã,
a vida —
e ela escapa,
sempre mais veloz que eu.
Quero que a valsa não termine,
mas nem me disponho
a dançar.
Preso por correntes
aos pés
das minhas crenças.

Cara

Cara,
que cara amarrada,
que coisa danada:
conflito cerrado,
cadência travada.
Cara,
parece cristão;
cospe no chão,
cruza as mãos,
cerra a paixão —
fé sem pulsão.
Cara,
caí no seu vão,
sem escolha, então;
difícil exclusão:
somos irmãos.
Cara cordato,
companheiro pacato,
que sabe de tudo
e esconde a emoção;
chora, mas não
pede perdão.
Parte o pão,
abençoa o coração.

Companheiros de viagem

Lembro-me bem da nossa primeira vez.
Primeiro encontro.
Amantes ao primeiro tato.
Dividimos o prato,
a mesa.
Partimos corações —
os nossos.
Resistimos aos temporais
e aos vendavais.
Andamos por muitos lugares,
aos pares,
em bares.
Ficamos num só recanto.
Fizemos do mesmo gesto
um modo de seguir.
Subimos cada degrau
sem medir a altura.
Nos olhamos no espelho
e deixamos marcas, rastros
que ainda nos conduzem.

Caminhava firme

Caminhava firme
A areia batia em meus cabelos dourados de sol
Os pés sentiam o cansaço da trilha

Ia pelo deserto
A pé
Ninguém para ver ou visitar
Apenas eu
Que não posso parar

Ao lado do deserto,
Um oceano imenso
Quanta solidão!

Não posso parar
Na parede do quarto daquela casa à beira mar Escrevo em papéis velhos
Desenho e rabisco em grafite na parede

Lobos uivando ardiam em meu peito
Solos de violão desfibrilavam minhas veias
Descortino as frestas dessa visão
Abro os olhos
E o chão já não está lá

E continuo na caminhada
Não canto para ninguém
Só o vento frio da tarde pode me ouvir
E os lobos seguem seu caminho

(Inspirado na música A horse with no name, America)